Não se deixe enganar, também tivemos técnicos estrangeiros de sucesso

Não se deixe enganar, também tivemos técnicos estrangeiros de sucesso

Na tentativa desesperadora da grande mídia (a famosa Flapress) em mudar a história do futebol por conta das últimas conquistas do seu filho preferido (o Flamengo), alguns feitos do passado estão sendo ignorados e um dos exemplos são os técnicos estrangeiros que deram certo no Brasil.

            A campanha do Flamengo de 2019 é intocável, merecidamente é comparada com os melhores times brasileiros da história e deve sim ser aplaudido o trabalho do português Jorge Jesus independente de sermos palmeirenses. Mas dar oportunidade aos técnicos estrangeiros não se iniciou no ano passado, tampouco os bons resultados com os gringos no comando. Grandes times brasileiros já tiveram excelentes resultados com técnicos estrangeiros como Vasco, SPFC, Atlético Mineiro e no meio desses clubes está o Palmeiras.

            Nesse artigo vamos conhecer duas figuras marcantes da nossa história, dois técnicos estrangeiros que deram certo no Brasil, mais precisamente com a camisa do Verdão. São eles:

Humberto Cabelli

Cabelli no comando do Palestra Itália.

            O uruguaio teve uma breve passagem pelo Palestra Itália como jogador em 1928, mas foi como treinador que ele se destacou e entrou para a história do clube. Foi o primeiro e único técnico até hoje a conquistar um tricampeonato Paulista consecutivo pelo Verdão nos anos de 1932, 1933 e 1934, e conquistou também o primeiro dos nossos 5 títulos do Torneio Rio-São Paulo em 1933. Vale lembrar que Cabelli era o treinador da equipe naquele eterno 8 a 0 diante do nosso maior rival. Seu aproveitamento no Palestra é de incrível 73,5%, são 78 jogos com 53 vitórias, 13 empates e 12 derrotas.

Don Nelson Ernesto Filpo Núñez

Filpo Núñez comandando o Palmeiras.

            O carismático e folclórico argentino é um dos principais treinadores da história do clube, ao todo foram três passagens por aqui e além de rodar muito por diversos clubes brasileiros.

            Filpo Núñes era abertamente defensor do futebol ofensivo, característica que o imortalizou no Palmeiras e o fez responsável direto pelo surgimento da Academia de Futebol, nome dado pela imprensa nos anos 60 ao time do Verdão da época, pois jogava um futebol de categoria e de ataque, onde todos diziam que era uma verdadeira aula aos adversários. Ao ser perguntado como era o esquema de sua equipe, o mesmo respondia que era o “pim, pam, pum e gol”, referindo-se aos toques rápidos de primeira até balançar a rede do rival, pode-se até afirmar que foi o primeiro “carrossel”, pois a troca de passes e a movimentação dos atletas eram constantes e intensas.

Quando chegou no Cruzeiro, tentou implantar esse mesmo sistema e a maioria dos jornalistas da época falaram que era loucura, pois bem, na Copa do Mundo de 1974, a Seleção Holandesa surgiu com um esquema tático parecido com aquele, o famoso “Carrossel Holandês” e acabou eliminando o Brasil. Esses mesmos jornalistas que criticaram Filpo a alguns anos atrás, usaram-no para fazer críticas a Zagallo técnico do Brasil naquele mundial, onde a grande maioria alegou que se Zagallo tivesse assistido aos jogos do Cruzeiro ele estaria preparado para enfrentar a Holanda.

Estrategista

O treinador argentino era tido como um visionário, foi o primeiro a levantar o conceito de que o jogador que está sem a bola é mais importante do que aquele que está com a bola, foi então que começaram as movimentações e o jogo cada vez mais ganhando qualidades táticas como estamos acostumados hoje.

Seu legado

Apesar de suas passagens serem curtas pelo Palmeiras, Filpo Núñez teve alguns feitos históricos por aqui que o consolidou como um dos ídolos do clube e um ícone no futebol brasileiro. Além do surgimento da Academia de Futebol, equipe vencedora do Torneio Rio-São Paulo de 1965 sob seu comando onde ganhou os dois turnos da competição, marcando 49 gols em 16 partidas disputadas, esse argentino tinha um outro fato que deixava-o extremamente orgulhoso, ele foi o único técnico estrangeiro a comandar a Seleção Brasileira de Futebol sozinho, isso foi em 1965 na abertura do Estádio Mineirão, na ocasião a equipe do Palmeiras representou o Brasil, inclusive com o seu treinador e não fez feio, vencemos aquele jogo por 3 a 0 da Seleção do Uruguai.

O time do Palmeiras com a camisa da Seleção Brasileira em 1965.

Em um total de três passagens pelo Palmeiras, Filpo Núñez acumulou 154 jogos, sendo 93 vitórias, 28 empates e 33 derrotas, um aproveitamento de 66,5%.

A atuação da Flapress

Como eu falei na introdução deste artigo, a grande mídia anda distorcendo a realidade como fizeram na final do Mundial Interclubes, onde falaram que o Flamengo foi a única equipe que equilibrou o jogo contra o time europeu, quando isso não é verdade você pode conferir nesse artigo aqui.

Querem fazer o mesmo na exaltação do Jorge Jesus, ele pode até ser considerado o melhor e o mais vencedor de todos os estrangeiros que atuaram no Brasil, mas colocá-lo como o único técnico estrangeiro que obteve sucesso aqui é tentar reescrever uma história que jamais será apagada.

O que não pode é essa hipocrisia ser sempre alimentada pela grande imprensa, portanto, não caia nessa tentativa de mudar o passado para o benefício daqueles que não estão nem aí para a realidade. Tivemos sim grandes técnicos estrangeiros vencedores no Brasil basta pesquisar, inclusive um argentino no comando da Seleção Brasileira.

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