A falta do camisa 10

A falta do camisa 10

Atualmente, estamos vivendo uma pandemia que obriga o país a paralisar. Partindo desse princípio, falo hoje sobre um setor que há anos parece estar paralisado no nosso Palmeiras, o camisa 10.

A numeração fixa faz com que os atletas mantenham o mesmo número às costas durante toda a temporada, e hoje a camisa 10 está com o Luiz Adriano, centroavante que, obviamente, não tem as características da posição original do número. Desde o mago Valdivia, que encerrou sua passagem em 2015, o Palmeiras não encaixa um meia atacante armador clássico no elenco, o típico camisa 10.

Luiz Adriano segura a camisa 10 do Palmeiras.
Luiz Adriano, que é atacante e não meia, enverga hoje a camisa 10 do Verdão.

Na nossa meia ofensiva atuaram diversos jogadores, como Robinho, Allione, Cleiton Xavier, Moisés, Guerra, Michel Bastos, Ricardo Goulart, e até Zé Roberto, entre outros que foram contratados para brigar por posição. É claro nem todos os citados fracassaram totalmente. Pelo contrário, alguns deles realmente honraram nosso manto e tiveram boas apresentações, mas nenhum foi tão absoluto quanto Valdivia, que mesmo na segunda passagem, entre idas e vindas no Departamento Médico, era dono absoluto da nossa criação.

Penso que dada a grande rotatividade do setor nos últimos anos, Alexandre Mattos sempre buscou os principais meias armadores que se apresentavam pelo país. Assim, vieram Lucas Lima, Zé Rafael, Gustavo Scarpa e Raphael Veiga, todos vindos de ótimas atuações em seus antigos clubes, mas que ao vestir as nossas cores não resolveram a ausência do meia criativo. Vários motivos podem ter propiciado tal situação, como as constantes trocas de treinadores, lesões, problemas judiciais e, a principal razão na minha opinião, a pressão, seja da imprensa ou da torcida, que assim como a galera do microfone, corneta mais que o normal.

Trabalho duro para o “Pofexô”

Mesmo com esses problemas, ainda sim temos joias nas mãos. Não devemos nos radicalizar diante de tais dificuldades, nem pedir a cabeça desses jogadores após uma atuação ruim, posto que seriam titulares em praticamente todos os times da Série A, com chances de jogar muito bem vestindo a camisa de um adversário. Temos meias que se encaixariam em qualquer elenco do Brasil e que com o tempo podem se encaixar no nosso também.

Luxemburgo anda testando o Dudu de 10, função que ele sabe fazer, faz bem, mas que não é seu diferencial e ainda inibe o drible em velocidade, sua melhor característica. Ao testar Lucas Lima no início da temporada, o jogador marcou dois gols, foi o atleta que mais finalizava certo e o terceiro jogador que mais criava chances com assistências no campeonato paulista. Scarpa e Veiga ainda não se soltaram e têm tido poucas chances. Já Zé Raphael está tendo muito sucesso em outra posição no esquema do Luxa.

Acredito que nesse novo estilo do nosso time jogar, a melhor alternativa seria Lucas Lima, jogador que sabe cadenciar o jogo quando precisa, consegue “pifar” o companheiro na cara gol com bons passes, além de dominar a bola de costas para o adversário. Na nova filosofia de jogo do Palmeiras, privilegiando a troca de passes e a bola bem trabalhada, não tenho dúvidas de que com sequência ele vai se dar bem.

Não depende só do treinador

Seja qual for a escolha do treinador para ocupar a posição de 10, a principal característica que ele deve ter é PERSONALIDADE, sentir que quem veste a camisa 10 do Verdão é representante de uma liturgia que remonta a craques como Ademir Da Guia, Rivaldo, Djalminha e Alex. É inadmissível que essa posição fique vaga por tanto tempo.

Alguém para dividir o posto de protagonista com o Dudu é urgente já há 5 anos. Portanto, esperamos que ao normalizar a situação do nosso país, normalize-se também a situação do nosso camisa 10, e que a paralisação desse setor tão importante esteja para acabar.

2 Responses

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *